Testemunhos

"O meu PRA (Portfólio Reflexivo de Aprendizagem) relata passagens da minha vida, que, de uma maneira ou de outra, foram alimentando o meu conhecimento e a minha capacidade de querer sempre saber mais. A força de vontade de cada um faz com que seja possível atingir aquilo que às vezes parece inalcançável. O querer estar sempre actualizado e adaptado às novas realidades é essencial no mundo de hoje e, para isso, temos que ter uma mente aberta e ter a capacidade de estar sempre pronto para aprender e desenvolver os novos conhecimentos. Não chega o simples facto de frequentar um curso ou uma formação, é necessário ter a capacidade de pôr em prática, melhorar e até inovar tudo aquilo que se vai aprendendo.

(…)

                Para terminar esta já longa reflexão sobre o meu passado, presente e futuro, queria confessar que nunca me passou pela cabeça ter tanto para recordar e demonstrar. Não foi fácil chegar até aqui, e houve momentos de autêntico desânimo porque o tempo (que embora seja de graça para todos) disponível era muito pouco. Foi preciso abdicar de muitos momentos de convivência familiar e de lazer, mas sinto que valeu  bem a pena ter terminado este resumo alargado da minha vida, nem que seja pela satisfação que me deu ter atingido um dos objectivos que era acabar este trabalho. Aproveito para agradecer a todos os formadores, a preciosa ajuda e orientação que me ofereceram. Mais uma vez, recorrendo às novas tecnologias, encontrei na Internet um poema de Fernando Pessoa. O seguinte excerto do pequeno poema “O mar Português” traduz na perfeição o que sinto agora".

 António José Fernandes Silva

(Adulto Certificado com o 12.º Ano de Escolaridade)

  

 

                “Ao fazer o balanço final do Processo de Validação do RVCC, tenho que reconhecer que o balanço é totalmente positivo. Apesar de ter iniciado com uma expectante dúvida relativamente à metodologia a utilizar na elaboração do portefólio, reconheço que foi talvez a que melhor se adaptou. A forma de gestão do tempo presencial no CNO, permitiu a execução de trabalhos à distância, já que todo o grupo era constituído por trabalhadores no activo. Quero também salientar o empenho e apoio incondicional e colaboração dos formadores e da Técnica de RVCC.

                Relativamente à minha narrativa autobiográfica, foi o que mais exigiu de mim na reflexão, na medida em que me obrigaram a rever vários acontecimentos passados e que me permitiram fazer uma auto-avaliação e respectiva identificação das várias competências adquiridas ao longo de toda a minha vida.

                Os outros trabalhos efectuados permitiram-me essencialmente desenvolver e aprofundar conhecimentos adquiridos como foi o caso da formação complementar.  

                Apesar da grande carga horária, em termos profissionais, e da dificuldade constante em gerir o meu tempo devido a compromissos com a empresa e com a família, tenho que assumir que foi positivo a todos os níveis e que, em termos de futuro, quero continuar a aprender e aproveitar todas as oportunidades que a vida me continue a proporcionar. Assim como me apercebi dos conhecimentos e competências que tenho adquirido ao longo da vida, apercebi-me acima de tudo do quanto não sei e tenho ainda para aprender".

                                                                                                                          Ricardo Manuel Pereira Romano

                                                                                       (Adulto Certificado com o 12.º Ano de Escolaridade)

  

             

 (…) Inicialmente, quando me propus a este “desafio”, não imaginava o quanto a minha rotina diária iria ter que mudar para poder realizar todas as aprendizagens que me eram solicitadas. Foram meses de intenso trabalho, esforço e muita dedicação, não apenas da minha parte, mas de todos aqueles que me rodeiam (família, amigos, colegas de trabalho, etc…). Indirectamente, todos estiveram envolvidos neste meu percurso de aprendizagem, através das conversas e debates partilhados sobre os mais diversos temas, pelas dicas, pelo estímulo e pelo incentivo nos momentos menos bons.

              Olhando, hoje, para o início desta caminhada, e em jeito de retrospectiva, vejo que passei por vários momentos diferentes, uns de maior entusiasmo e outros de maior dificuldade, nomeadamente no que diz respeito a conciliar a vida profissional, familiar e esta “nova vida de aprendiz”. Confesso que existiram momentos em que a desmotivação tomou conta de mim, mas apenas por breves instantes, pois a vontade de concluir o 12º ano era mais forte. Também nunca ninguém me disse que este era um processo fácil, disseram sim, que esta seria uma longa caminhada em constante movimento e para a qual teríamos o apoio da equipa que nos acompanhou.

              No entanto, vejo que consegui superar com sucesso todos os obstáculos que foram surgindo ao longo da elaboração do portefólio, como por exemplo, o adaptar dos conteúdos dados à minha história de vida.

             Hoje reconheço, que esta reflexão mais pessoal e aprofundada dos temas é uma boa forma de aprender.

             Resumindo, o RVCC é difícil e trabalhoso, mas permitiu-me adquirir conhecimentos que jamais pensei vir a ter. Só por isso já valeu a pena!

 

Andreia Sofia R. Cruz

(Adulta Certificada com o 12.º Ano de Escolaridade)

 

 

          “De uma forma geral, todos os objectivos a que me propus penso que foram atingidos. Se tivermos em conta que este trabalho foi realizado em simultâneo com a minha actividade profissional, estou muito satisfeito por ter conseguido e por ter a oportunidade de elaborar este trabalho.

          Uma das grandes dificuldades que encontrei foi basicamente a falta de tempo, porque a nível dos formadores, estes foram todos excepcionais na ajuda que me deram durante a elaboração do meu portefólio. A eles quero aqui deixar o meu muito obrigado, porque foram todos uns excelentes formadores e posso considerá-los pessoas com muita capacidade de ajudar os outros a concretizarem os seus sonhos. Muitas das vezes faltou-me motivação e eles ajudaram-me a superar os vários obstáculos com que me fui deparando, ao longo do processo.

          Saio deste projecto uma pessoa com mais conhecimentos a nível geral, pela formação que me foi fornecida, mas também com um conhecimento mais profundo sobre mim, porque neste trabalho escrevi coisas de que quase nunca tinha falado com ninguém e que nunca pensei escrever na minha história de vida e compartilhar com pessoas que com as quais não tinha qualquer ligação pessoal ou emocional.

          Este trabalho fez com que eu me sinta mais valorizado a nível pessoal e aumentou o meu auto-conhecimento, reconheceu e validou as minhas competências, bem como desenvolveu outras competências importantes para a minha vida e o meu futuro. Fico também muito feliz, porque sei também que o meu êxito se deveu ao meu empenho neste trabalho e que me vai servir de futuro para atingir novos objectivos.”

                                                             

                                                                                                           Sílvio Manuel Moreira da Costa

                                                                            (Adulto Certificado com o 12.º Ano de Escolaridade)

 

 

Um Elogio Público

 

 

                Sempre defendi as práticas de RVCC. Que se aprende na vida e com a vida. E que uma das funções da escola é também reconhecer e certificar as aprendizagens ao longo da vida.

                Mas vamos primeiro ao elogio. É muito importante compreender a diferença do impacto entre um elogio público e um elogio privado. Os elogios públicos devem ser usados com muito cuidado porque podem provocar ressentimentos e invejas. Por vezes, os profissionais considerados excelentes, alvo dos elogios públicos, tendem a perder influência sobre os colegas mais novos e inexperientes e são acusados pelos colegas de serem bajuladores. O elogio público só deve ser usado quando tem a potencialidade de ajudar no seu todo. Por exemplo, o elogio a um grupo que pensou um projecto que mereceu um prémio ou um financiamento extraordinário. Uma boa alternativa ao elogio público é o envio de uma carta pessoal ou de uma menção honrosa. Desta forma, o alvo do elogio recebe a menção honrosa, mas os restantes membros da comunidade não têm conhecimento dela. O mesmo se pode dizer em relação às críticas. São de evitar as críticas públicas porque humilham, rebaixam, criam ressentimentos e desmotivam.

                Mas este é um elogio público. Com todos os constrangimentos que tem um elogio deste tipo. Após o júri do secundário que realizámos, no CNO da Forave, no passado dia 31 de Março, em que os adultos testemunharam, junto dos presentes, a vontade de continuar a investir na sua formação e, afirmaram que a obtenção do nível secundário não se assumia como um meta, mas como um meio para ir mais além, em que na verdade se assistiu a “grandes” apresentações que demonstram o que a vida ensina e que apesar de algumas deficiências no “processo” de certificação este se mostra válido e até muito rico, quando as equipas, os formadores e os técnicos trabalham bem.               

                  As palavras de elogio ao esforço de todos os adultos que resolveram investir na sua qualificação, são merecidas, pois todos reconhecemos que o certificado que obtêm é ”duplamente penoso” e “bem mais difícil de obter” face à vida familiar e profissional que os mesmo vivenciam. 

                 Sempre defendi as práticas de RVCC. Que se aprende na vida e com a vida. E que uma das funções da escola é também reconhecer e certificar as aprendizagens ao longo da vida.

                 O que significa que a aposta central terá de passar pela demonstração de que "aprender compensa" em termos de emprego, de carreira, de remuneração...  O que está Muito Longe de acontecer...

                Mas os adultos do CNO da Forave, no passado dia 31 de Março, não merecem só este elogio, merecem outro elogio, o elogio que decorre da qualidade.

                Uma aula, foi o que aconteceu no dia 31 de Março no CNO da Forave. Parabéns!

                                                                                                                                                                               Dr. João Ferrer

                                                                                                                                                                       (Avaliador Externo)

 

 

"Se não houver frutos, valeu a beleza das flores; se não houver flores, valeu a sombra das folhas; se não houver folhas, valeu a intenção da semente."

                                                                                                                                                                              Henfil

 

          Com o trabalho elaborado durante o processo podemos concluir que a vida é o nosso melhor professor. A vida é uma constante de memórias que transcendem os tempos. São pingos de saudades, tristezas e alegrias de carinhosa vivência humana que se manifestam através dos sentimentos. O passado e o presente são traçados pela lealdade das memórias dos autores.

          Este livro regista toda a sensação de saudade, amor, tristeza, alegria, e até de revolta. Tudo quanto me fez rir, chorar e sofrer fica gravado em cada parágrafo deste portefólio.

          É, sem dúvida, um útil e precioso objecto de trabalho, pois com ele conseguimos fazer consultas muito mais facilmente do que se tivéssemos os documentos de um lado para o outro. Penso que é como um recordar do que fizemos anteriormente, porque quando o consultamos estamos a reflectir sobre o que fizemos bem e mal, como também o que devemos melhorar.

          O principal objectivo é:

- Desenvolver a competência comunicativa, para além de ter sempre em vista a evolução da minha formação;

- Desenvolver o gosto pela prática de actividades que ajudam a complementar a matéria pedida durante o desenrolar do processo;

- Aprender, por mim mesmo, fora do contexto escolar;

- Adquirir conhecimentos e competências pessoais de expressão oral e escrita;

- Adquirir progressivamente maior perfeição, responsabilidade, profissionalismo e capacidade de trabalho organizativo. Na escola, aprendemos as regras sem chegar a perceber a lógica, com o tempo desenvolvemos a lógica, ultrapassando todas as regras. Mesmo não frequentando a escola, com os anos aprendemos a fazer contas, a ser médicos, a orientar a utilização de tecnologias, a ultrapassar obstáculos, enfim, descobrimos os segredos da ciência.

          É nesta óptica que se fundamenta o ditado popular:

 

                                       “Se o novo soubesse e o velho pudesse não havia nada que se não fizesse”.

 

Cesário Germano Mateus Pinto

 (Adulto Certificado com o 12.º Ano de Escolaridade)